Saúde / Coronavírus

Os efeitos imediatos e futuros da Covid-19 na saúde dos rins

Médica chama a atenção para os impactos diretos e indiretos do coronavírus nos rins, o que aumentará a demanda por tratamentos como diálise
person access_timePostado em 13/07/2020 18:54 chat_bubble_outline

Ao final de 2019, quando os primeiros casos do novo coronavírus foram detectados na China, a enorme dimensão que isso acarretaria ao mundo era inimaginável. A alta taxa de contágio e a possibilidade de pessoas assintomáticas transmitirem a doença foi o primeiro sinal de alerta à comunidade científica do real risco de uma pandemia.

Os primeiros estudos chamavam a atenção para o fato de que uma pequena, mas significativa, parcela dos infectados evoluía com uma pneumonia capaz de progredir para insuficiência respiratória severa. Nesse momento, todos os olhos e recursos se voltaram para otimizar o suporte intensivo e ventilatório aos pacientes graves, com comprometimentos que não ficavam restritos aos pulmões.

No início da pandemia, os dados chineses mostravam uma baixíssima incidência de lesão aguda nos rins. Como consequência, as demandas e os estoques para terapia renal substitutiva (diálise) acabaram negligenciados. A ideia era que isso não passaria a ser um recurso escasso.



Porém, com a progressão da pandemia, a realidade encontrada foi muito diferente, como mostraram os próprios trabalhos científicos. Já com o vírus se alastrando na Itália, cerca de 30% dos pacientes internados em UTIs precisavam de hemodiálise. Muitos deles, por conta da instabilidade do quadro e por não suportar o acúmulo de líquido no organismo, dependiam do que chamamos de diálise contínua — nesse tratamento, o paciente fica ligado a uma máquina que faz o trabalho dos rins por 24 horas, às vezes por dias.

 


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