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Mais renomado cardiologista do Brasil revelaque a covid-19 causa doenças no coração mesmo após o paciente curado

person access_timePostado em 27/12/2020 11:47 chat_bubble_outline

reprodução / internet

O mais renomado cardiologista do Brasil, Roberto Kalil Filho, concedeu, nesse sábado (26), uma entrevista exclusiva ao comunicador Fabiano Gomes e revelou ao Fonte83 um dado assustador: a covid-19 provoca doenças no coração mesmo após o paciente já estando livre do vírus. Ele informou que estudos já mostram que 70% das pessoas infectadas pelo novo Coronavírus tiveram comprometimento cardíaco.

Além de ter fundado o Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês ser Diretor Clínico do hospital há anos, o médico se formou na Universidade de Santo Amaro (Unisa), é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Instituto do Coração (Incor). Durante anos, estudou e fez pesquisas nos Estados Unidos e é Fellow do American College of Cardiology.

Roberto Kalil Filho, de 60 anos, é mais conhecido por ser médico de famosos, como os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer, os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, além dos artistas Roberto Carlos, Gilberto Gil e Wanessa Camargo. Foi muito ligado a outros nomes históricos da política nacional, como Paulo Maluf e João Figueiredo. Em seu casamento, o médico paulista conseguiu unir toda classe política do Brasil à época. De Lula e Dilma, que foram seus padrinhos, à o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O prefeito à época de São Paulo Fernando Haddad, o ex-governador José Serra, entre outros, também estiveram presentes.



Veja a entrevista abaixo:

O senhor foi um dos primeiros, dos renomados médicos do Brasil, a ter o covid-19 e tratou a doença com coquetel de remédios entre eles a hidroxicloroquina. Passado esse período, o senhor acredita na eficácia da cloroquina para combater a doença?

Pergunta difícil de responder porque na época que eu fiquei doente, que foi março, estava muito no começo, então os protocolos para o tratamento da doença estavam no começo, não tinha estudo para o tratamento da doença ainda. Hoje os protocolos, os estudos científicos mostram que não se sabe a clara eficácia da cloroquina no tratamento da doença, tanto as formas leves como as mais graves. É uma droga no mercado, é utilizada por vários colegas pra prescrever, como você escuta aí, pra tratar o covid, porém é difícil. Agora, vários estudos no mundo inteiro não mostraram uma eficácia dela no tratamento da covid, não quer dizer que não vá ter resposta individual num ou noutro paciente, não quer dizer que os médicos não tenham, quando acharem necessário, que prescrever. Agora, na minha época em março tomei cloroquina, foi receitado pra mim, à época a gente utilizava muito nos pacientes, hoje, obviamente o uso é bastante reduzido, pelos estudos científicos que mostraram que não tem uma eficácia marcante na prevenção ou no tratamento das formas mais graves.

Eu vi uma entrevista do senhor, o senhor fazendo a entrevista com um dos principais infectologistas do Brasil, sobre a questão da vacina. O senhor acha que a vacina vai resolver o covid?

É a única coisa. Essa pergunta é ótima. A única arma direta contra o covid é a vacina. Agora, é óbvio que as medidas de proteção, uso de máscara, evitar aglomeração, lavar as mãos, todas aquelas medidas protetivas, você sabe que reduz muito a chance de você se contaminar.

Mesmo depois de vacinado?

Veja. É uma pergunta bastante interessante. Tem remédio para tratar o vírus agora? Não tem. Um retroviral, um antiviral? Não tem. Então a única medida é a vacina. A única. E, evidentemente, as pessoas têm que se vacinar. Agora, a cultura, eu acho, vai mudar um pouco. Por exemplo: no ano passado – agora eu que vou te perguntar – você ficava gripado – todo mundo fica gripado de vez em quando – agora, você, no seu ambiente de trabalho, você espirrava as pessoas falavam saúde. Certo? Era outra cultura. Essa cultura acabou. Isso, na minha opinião, não vai acontecer nunca mais. Se você espirrar no ambiente de trabalho eles lhe põem na rua, pode-se dizer. Essa cultura, que tem no Japão, da gente usar máscaras, lavar as mãos, isso vai continuar por um bom tempo. Teoricamente, as pessoas gripadas, daqui pra frente, vão ter que usar máscara, independente de Coronavírus. Essa cultura mudou e mudou pra melhor. E outra coisa, vem por aí o Influenza, o H1N1, vai vir outros vírus, entendeu. Então, essa é uma medida protetiva importante. A vacina é a única arma contra o vírus.

O senhor leu sobre essas vacinas que estão sendo testadas?

Eu não sou especialista nisso. Agora, eu converso com muita gente, de dentro dos hospitais, dos estudos científicos, quer dizer, se discute muito o assunto. As vacinas, a Anvisa, se não me engano já aprovou quatro vacinas que estão em teste. E qualquer vacina que a Anvisa liberar é extremamente confiável, a Anvisa é a função dela e é um órgão extremamente competente. As pessoas perguntam: que vacina tomar? Qualquer vacina aprovada pela Anvisa vai estar disponível pra usar a vacina com segurança.

O Hospital Sírio Libanês vai tentar adquirir a vacina pra cobrar na aplicação?

Eu não sei, eu não tenho esse conhecimento. Aliás, o conhecimento que eu tenho de qualquer vacina que tem por aí, você também, como é que você faz pra vacinar pra gripe? Tem no serviço público e tem na iniciativa privada. Eu acho que depende muito, porque, veja… Essa pandemia e esse desastre no mundo inteiro, ninguém nunca viveu isso. Poucas vezes foram vividos. Pelo menos nós, pelo menos eu em 60 anos nunca vivi isso. O importante é falar que o sistema de vacinação do país, é muito competente.

Então, você acha que o Brasil tem estrutura pra fazer um ‘Dia D’ de vacina?

O sistema de vacinação do país é extremamente competente e reconhecido no mundo inteiro. Então, o país tem condição sim de fazer uma campanha de vacinação como todas as campanhas de vacinação nas últimas décadas. Quando for aprovado a vacina, ou as vacinas, obviamente a Anvisa vai ter competência. Amanhã, quando for liberado para as clínicas privadas, os hospitais privados vão ter para aplicar.

Eu queria mudar um pouco pra outra lógica. Qual o segredo de um hospital público universitário como o Incor ser considerado o melhor da América Latina?

Isso é uma honra pra nós. Eu nasci no Incor. Minha vida começou no Incor. Eu estou no Incor há 35 anos ou mais. O Incor é um hospital público ligado ao hospital da Clínicas. Mas o Incor, quando ele foi criado na época do professor Zerbini, do professor Adib Jatene, quem começou foi o professor Zerbini, eles foram idealizadores do Incor. O doutor Zerbini na época, agora eu não lembro, acho que o Incor tem 40 anos, na época eles tiveram a ideia de criar a Fundação Zerbini, que é uma fundação para ajudar a captar recursos pra pesquisa, pra melhorar salário dos funcionários, mas principalmente para captar recursos para pesquisa. Isso foi uma grande ideia. Então, você vai falar: qual é o sucesso do Incor hoje? Com muita honra, foi uma surpresa pra nós que ele foi considerado o melhor hospital de cardiologia da América Latina, entre hospitais públicos e privados, e o 20° do mundo. Foi uma honra. Qual é o segredo? Começou com Zerbini, montando essa fundação. O Incor recebe verba do governo federal, do SUS, recebe verba do estado e foi criado o atendimento de convênio que é de 10% a 20%. Convênio e particular, tem uma ala convênio e particular. E, obviamente, o recurso que entra ajuda bastante. Então, qual é o segredo do Incor, uma instituição que começa com o professor Zerbini, com o professor Décourt, é um privilégio, entendeu. Como diz, uns dos grandes mestres da cardiologia. Então o Incor foi construído com esses mestres, não precisa nem dizer, eles não são seres humanos, eles são acima disso, são entidades. O Incor foi construído baseado num tripé, que é ciência, ensino e pesquisa e atendimento ao paciente. E o Incor, desde o comecinho, a ciência e a pesquisa foi muito forte. O que se faz de pesquisa hoje na instituição é uma das estruturas que mais produz no mundo. Você ter uma ideia de transplante cardíaco de adulto e criança, é a sétima instituição do mundo, em número de resultado de transplante, então é um orgulho pra nós brasileiros. Agora, como faz? Um professor, que é ligado a uma escola que é a unidade de ensino da USP, é ligado ao hospital das Clínicas, ele pertence ao complexo hospital das Clínicas, e deu certo. Deu certo baseado num trabalho de décadas das pessoas, a Fundação Zerbini ajuda bastante com a captação de recurso, pra diferenciar salários, então quer dizer: foi uma instituição criada a dedo. Hoje o Incor atende milhares e milhares de pessoas, duma maneira que funciona 24 horas, uma referência no mundo inteiro e foi considerado um dos melhores hospitais de cardiologia do mundo.

E o que o senhor acha que falta para os demais estados pegarem o case do Incor e implementar?

Olha, eu vou te dizer uma coisa: é muito fácil falar. Muitas autoridades, no decorrer da vida, falavam: vamos criar um Incor em cada região. Mas não é fácil. Não só o Incor. Estou falando do Incor porque você me perguntou, mas tem grandes instituições públicas de renome internacional.

Aqui mesmo tem o hospital Napoleão Laureano que para o câncer, que é modelo nacional.

Você pega o Hospital do Amor, pelo amor de Deus, são entidades. É que você perguntou do Incor, mas tem muita instituição ligada ao setor público, que atende ao SUS, são brilhantes. Agora, é claro que o número está muito mais aquém do que deveria. Eu te pergunto qual é a dificuldade. Quando o SUS, por exemplo, foi criado, em 1980 e poucos, a medicina era outra, a medicina de 30 anos atrás era mais barata, não tanto de tecnologia, se tinha mas não é o que se tem hoje. E outra coisa, a população era mais jovem. Que graças a Deus a expectativa de vida hoje é infinitamente maior. Então você está diante de uma população mais envelhecida e com uma medicina muito cara, o que torna mais difícil você fazer instituições de ponta. Agora, se você me pergunta: qual é a saída pra isso? É o que eu sempre falo: o SUS é o melhor sistema de saúde do mundo, atende mais de 100 milhões de pessoas. é brilhante o sistema. O SUS é subfinanciado há décadas.

Então o senhor acha que o SUS está atualizado ainda?

O SUS tem grandes hospitais, você mesmo deu exemplo daí na Paraíba, de hospitais de ponta. Agora, não precisava ter mais hospitais como você me perguntou? Mas falta dinheiro, falta recurso. O SUS, o sistema está subfinanciado há décadas. Não se dá o dinheiro devido ao SUS. E não adianta a conversa de falar: ah, é mau gerido. Não. Precisa dinheiro, precisa verba. Claro que gestão é importante, mas precisa recurso. E a pandemia foi um grande exemplo, porque o SUS salvou milhares de vidas. O SUS tratando a população carente, os médicos dando a vida, os profissionais de saúde dando a vida, isso foi fundamental pra mostrar pra população, para as autoridades, para a imprensa, o valor do SUS. O que eu falo assim, às vezes sai uma reportagem: ah, o hospital do SUS demora dois anos para uma cirurgia. Sai numa reportagem, certo? Deixa eu falar uma coisa pra você: sai numa reportagem que o SUS atende milhões de pessoas por dia e salva vidas? Não sai, porque é assim que funciona. O que vai acontecer depois da pandemia, com certeza, você está vendo o SUS diferente do que você via. Você viu que esse sistema salvou milhões de pessoas. Sobre financiamento. As regiões, isso dados conversando com sanitaristas, não sou sanitarista como nós falamos no começo. Conversando com grandes sanitaristas, por exemplo, com Gonzalo Vecina, foi ele quem criou a Anvisa, por sinal, onde as regiões do SUS estavam mais, do ponto de vista, menos aparelhada, a mortalidade foi maior pelo Coronavírus. Tem que dar um jeito de ter dinheiro para a saúde. O Incor recebe verba do SUS, verba federal e também tem o aporte da saúde suplementar, senão não estaria em pé.

Nós falamos em SUS, eu vou para os PSFs. O PSF hoje funciona de forma muito precária, no Brasil inteiro, e, além de tudo, as pessoas têm que ter hora para adoecer porque se fecha à noite. Às 6h da noite se tranca o PSF e não tem mais nenhum atendimento. O que o senhor acha do PSF hoje no Brasil?

Eu não tenho conhecimento técnico para dar opinião sobre esse sistema. Agora, se você tem mais recurso, você resolve grande parte dos problemas existentes no atendimento do SUS e nos outros sistemas paralelos. Outra coisa muito importante é ter recursos e pagar melhor os funcionários e tem mais, ter plano de carreira. O Incor tem plano de carreira para as pessoas. As pessoas sobem na carreira, fazem mestrado, fazem doutorado. Isso estimula. E com algumas parcerias público-privado ajudam o SUS também. Isso é importante. É diferente de privatizar o SUS. As parcerias público-privada, os governos têm que arranjar verba de qualquer jeito, aumentar o suporte econômico do SUS, ponto. O que é bem diferente de privatizar o SUS, as pessoas até falam, né? Bem diferente. O SUS tem que ser fortalecido de algum jeito. Recurso. É claro que o país não é um país rico. Não é como os Estados Unidos, com bilhões de dólares para a saúde, mas eu tenho 36 anos de formado, eu nunca vi o pessoal das valor ao SUS em 35 anos de medicina. Eu, Roberto Kalil, uma opinião pessoal, como médico, nunca vi darem o valor devido ao Sistema Único de Saúde como ele merece.

Falta reconhecimento da população.

Não, não é reconhecimento da população. O que eu falo é dos governos injetarem recursos. Qualquer empresa, qualquer sistema, tem que ser bem financiado e bem gerido, mas se você não tem recurso, o que adianta um bom gerenciamento? Não adianta nada! O que adianta você ter ideias para melhorar o atendimento da população se você não tem dinheiro? Você não consegue por em prática.

Doutor, a diferença de um paciente que está com covid e que está num hospital da rede SUS e outro que está no Sírio Libanês pode ser preponderante na vida dessa paciente?

Evidentemente nós temos hospitais com recurso, aparato todo tecnológico, e hospitais sem recursos. Isso dizemos no caso do covid. UTIs altamente sofisticadas e UTIs que não têm tecnologia. Isso nem comparando hospital público com o privado, que é o Sírio Libanês. É óbvio que o hospital privado, ele tem muito mais recurso, todo mundo sabe isso. A diferença, por exemplo, tem hospitais públicos extremamente bem aparelhados, que não tem diferença do hospital Sírio Libanês. Agora, é óbvio que um paciente que está na UTI altamente sofisticada, com aparelhagem sofisticada, isso não é só na época covid, é situação de saúde, obviamente os resultados são melhores, só podem ser melhores, mas independente se é SUS.

Em novembro, em 22 de novembro mais precisamente, o senhor disse que não teria uma segunda onda de covid no Brasil, que estaríamos ainda no primeiro. O senhor ainda tem esse conceito?

De novo. Não sou infectologista, não sou imunologista, mas é óbvio que esse conceito… cadê segunda onda Fabiano? Nós não terminamos nem a primeira. Vamos lá. Eu que te pergunto: para se acabar uma primeira onda tem que ter uma condição básica, tem que zerar o número de casos. O Brasil continuou com alta incidência. Diminuiu um pouco, agora volta a aumentar. Desculpa. Eu não acho que saiu da primeira onda quando 500 pessoas morriam por dia. É uma tragédia o que está acontecendo com mil pessoas morrendo por dia. Agora é mil, é muito maior, claro que a tragédia é muito pior, mas não dá para falar em segunda onda. Que segunda onda?

Se o senhor tivesse que decidir de fazer lockdown ou não, o que o senhor faria?

É muito complicado a sua pergunta. De novo: eu não sou especialista nisso. Mas você concorda que a população está saturada, né? Então hoje as críticas, as pessoas, poxa está lá saindo, mas… quem que aguenta ficar um ano dentro de casa? Desculpa, ninguém no mundo inteiro. Essa conversa é muito complicada. Porque tudo bem, não vamos de lockdown, ótimo, vamos acabar com o vírus. Sei! A economia aguenta ficar com o povo preso dentro de casa um ano? Pelo amor de Deus. E nem psicologicamente. Tanto é que as medidas restritivas agora estão sendo muito menores do que em março, abril, porque os governos sabem que ninguém aguenta. Hoje mesmo lendo notícia, tem lojas em São Paulo abrindo, porque ninguém aguenta. As pessoas estão nas ruas, estão viajando. É uma situação que não tem culpado, que não tem a melhor conduta. É um situação que ninguém viveu, que esse vírus pegou todo mundo, um termo chulo, de calça curta.

Com infectologistas que o senhor conversa diariamente, existe essa tese da conspiração de uma mutação do vírus?

Eu não entendo disso. Está se falando de uma mutação do vírus. O vírus pode ter mutação. Conversando com especialistas, a vacina é eficiente para imunizar qualquer dessas mutações. Pode ser que eu esteja falando uma bobagem. Eu não sei. Mas, aparentemente, a vacina dá conta disso. E a gente volta na sua pergunta inicial. A vacina é a única arma eficaz e ponto. Não tem outra.

Em entrevista a Jovem Pan, de julho deste ano, o senhor trouxe um dado preocupante de que o covid-19 pode atingir o coração, mesmo após a cura. De lá para cá o senhor tem estudos de casos com esse exemplo?

O covid, se achava, que era uma doença predominante pulmonar. Uma doença gripal. Ela é predominantemente pulmonar, mas se sabe hoje que ela atinge vários órgãos, ela atinge o cérebro, o coração, os rins. Eu vou te dar dados do coração. Saíram alguns estudos, há uns dois meses, um estudo que as pessoas fizeram ressonância magnética numa revista de alto impacto, que as pessoas fizeram, pegaram pacientes que já estavam curados do covid, uma média de 70 dias depois, ressonância é um exame de imagem que vê o coração, 70% das pessoas tinham comprometimento cardíaco de alguma monta, 70% tinham inflamação no coração. É muito. Nós sabemos que muitos pacientes com covid, eles têm complicação cardíaca. Nós fizemos um estudo, e quando estiver pronto eu faço questão de discutir esses dados com você. Esse estudo, o Incor que coordena, já acabou o levantamento de dados, a inclusão de pacientes, nós incluímos 2.700 pacientes, com complicação cardíaca e vimos, justamente analisando, qual era a complicação e esses dados vão ser publicados em janeiro.

Atinge sim o coração de uma maneira bastante intensa e com maior frequência do que se pensava em março. Nas China, os primeiros estudos mostraram que 7% das mortes é numa coisa chamada miocardite, que é a agressão do vírus diretamente ao coração. Porque o vírus atinge o coração de algumas maneiras. Ele causa infarto. Ele fecha uma artéria. A pessoa infarta. Segundo, ele atinge o músculo do coração chamado miocardite. E terceiro, por ele diminuir a oxigenação do sangue, porque agride o pulmão, vai menos sangue pra o coração causando uma coisa chamada isquemia miocardica, que é falta de sangue para o coração. Ele é agressivo de várias maneiras, causa arritmia, causa hipertensão, ou seja, ele não é uma doença só pulmonar, ele é uma doença sistêmica.

O senhor alguma vez já foi convidado para ser ministro da saúde?

Já fui sim de uma maneira muito singela, não neste governo e eu, obviamente, não tive nenhuma intenção para o cargo. Eu na verdade sou uma pessoa que gosto de política, mas nunca tive a intenção de assumir nenhum cargo. Meu cargo, o que, estou falando com você num domingo, nem sei (sábado). Eu estou no hospital desde as 7h da manhã, esse é meu ministério, eu brinco.

Outra coisa: lhe irrita o famoso título de médico dos famosos?

Não é que me irrita.

O PIB da Paraíba, 100% é doutor Kalil.

Não é assim. Eu, na verdade, sou um médico, você me conhece há uns dez anos. Comecei no Incor, trabalho 24 horas por dia, é minha vida trabalhar 24 horas por dia. Eu amo a medicina. Óbvio, que você durante uma vida vai tendo pacientes de toda monta, empresários, políticos, não políticos, por coincidência, trato pessoas que tem condição econômica, como trato pessoas que não tem condições, trato pessoas públicas e trato pessoas não públicas. Eu sou um cara normal, que cobro uma consulta normal. Se famoso for trabalhar 24 horas por dia, tudo bem. O reconhecimento público vem por acaso na vida. Cuidei de algumas autoridades que me evidenciaram. Não sou mais médico do que ninguém não sou melhor do que ninguém.


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