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Assalto em Cametá: Jovem foi morto após tentar correr dos criminosos, dizem testemunhas

Criminosos assaltaram banco na madrugada desta quarta-feira (2). Jovem era um dos reféns do escudo humano e morreu durante confronto entre bandidos e policiais.
person access_timePostado em 02/12/2020 22:54 chat_bubble_outline

Alessandro Moraes, de 25 anos, foi morto durante ação de quadrilha em Cametá. — Foto: Reprodução / TV Liberal

Um dos reféns que estava no escudo humano formado por bandidos que assaltaram um banco na cidade de Cametá (PA) morreu ao tentar fugir. A ação criminosa aconteceu na madrugada desta quarta-feira (2).

Alessandro de Jesus Lopes Moraes, de 25 anos, foi morto após correr durante a troca de tiros entre polícia e bandidos, segundo testemunhas.

"Na hora do escudo humano, ele tentou correr. [Os criminosos] Mandaram ele voltar, mas ele não obedeceu. Foi nesse momento que eles atiraram", contou uma das pessoas ouvidas pelo G1.



O morador relatou ainda que os momentos de terror abalaram a população. "Nunca pensamos que iríamos passar por isso. Só quem viveu sabe o quanto é triste estar na mira de uma arma. Fui vítima, mas saí vivo", afirmou.

Alessandro morreu em frente ao Batalhão da PM, que foi totalmente fuzilado. Duas viaturas foram destruídas.

O corpo dele foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) em Abaetetuba, distante 236,7 km de Cametá. A liberação do corpo foi confirmada pelo IML por volta das 19h.

Alessandro trabalhava em uma farmácia no centro de Cametá. Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra o funcionário cantando em frente ao local.

Funcionários do estabelecimento, familiares e vizinhos não quiseram se pronunciar.

A farmácia em que ele trabalhava não abriu nesta quarta-feira. Um cartaz com aviso de luto foi colocado na fachada.

Vítima de ação de bandidos em Cametá trabalhava em uma farmácia no centro da cidade. — Foto: Reprodução

Vítima de ação de bandidos em Cametá trabalhava em uma farmácia no centro da cidade. — Foto: Reprodução

Assaltantes fizeram reféns em Cametá, no Pará.  — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Assaltantes fizeram reféns em Cametá, no Pará. — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Em nota, a prefeitura de Cametá lamentou o ocorrido e disse que a PM, "por ter um contingente reduzido na cidade em relação à sua população e especificidade geográfica não pôde responder a injusta agressão".

A nota diz ainda que a prefeitura agradece o "suporte pontual dado pelo Estado no emprego de forças policiais especializadas" e que a Unidade de Pronto Atendimento recebeu diversas pessoas que precisavam de atendimento.

O assalto

Uma quadrilha com pelo menos 10 criminosos tomou as ruas de Cametá, a 235 km de Belém, e assaltou uma agência do Banco do Brasil.

Além de Alessandro Moraes, uma outra pessoa ainda não identificada foi baleada. Atingida na perna, a segunda vítima foi internada no Hospital Regional de Cametá. Ela foi operada e passa bem.

Segundo o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), a quadrilha errou o cofre e não levou nada do banco.

Resumo

  • Uma quadrilha com pelo menos 10 criminosos assaltou uma agência do Banco do Brasil em Cametá, a 235 km de Belém.
  • A ação começou por volta da meia-noite e durou cerca de 1 hora e meia.
  • Os bandidos usaram moradores da cidade como escudo humano e atacaram o 32º Batalhão da Polícia Militar do Pará.
  • Um dos reféns morreu.
  • Quadrilha usou armas de alto calibre e explosivos.
  • Os bandidos fugiram de carro e, depois, em barcos.
  • Governador disse que ladrões erraram cofre e não levaram nada.

Crime recorrente
A ação em Cametá tem características semelhantes à registrada em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, na madrugada desta terça (1º), em que uma quadrilha também fez ataques pelo município em ação para assaltar uma agência do Banco do Brasil.

Assim como ocorreu em Criciúma, a quadrilha atacou um quartel da Polícia Militar (PM), impedindo a saída dos policiais, e usou reféns como escudos para se locomover pelas ruas da cidade. Em Cametá, as pessoas foram capturadas em bares.

Em 2020, o Pará registrou outros dois assaltos semelhantes: um em Ipixuna do Pará, em 30 de janeiro, e em São Domingos do Capim, em 3 de abril. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (Segup), "praticamente todos os envolvidos" foram presos. De 2017 a 2020, foram 51 assaltos desse tipo no Pará, de acordo com dados da secretaria.

Esse crime é conhecido como "novo cangaço" ou "vapor", que se caracteriza por ações rápidas, violentas, com muitos disparos de armas de fogo, tomada de reféns e uso de explosivos. Normalmente, são planejados em cidades de médio e pequeno porte, que tem um efetivo menor de policiais. Nas ações, os criminosos cercam os batalhões de polícia.

Ataque a banco em Cametá — Foto: Arte/G1

Ataque a banco em Cametá — Foto: Arte/G1

Infográfico compara os assaltos em Cametá (PA) e Criciúma (PR), conhecidos como 'novo cangaço' — Foto:  Fernanda Garrafiel/G1

Infográfico compara os assaltos em Cametá (PA) e Criciúma (PR), conhecidos como 'novo cangaço' — Foto: Fernanda Garrafiel/G1


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