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STJ apura se João estaria continuando crimes investigados na Calvário

Em parecer contra soltura de Coriolano ao STF, MPF afirma que João é suspeito de dar continuidade a supostos crimes investigados na gestão de Ricardo
person access_timePostado em 13/01/2020 18:31 chat_bubble_outline

Reprodução internet

O governador da Paraíba, João Azevêdo (sem partido), é alvo de investigação específica no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ser suspeito de dar continuidade aos crimes investigados pela Operação Calvário e que teriam sido comandados pelo ex-governador do Estado, Ricardo Coutinho (PSB). O caso corre em segredo de Justiça. Ricardo chegou a ser preso, mas conseguiu sair da prisão por meio de uma liminar.

“A atualidade dos fatos também é confirmada pelo fato de o grupo criminoso comandado por Ricardo Coutinho continuar agindo no governo de João Azevêdo, que assumiu em 2019, por meio da indicação dos seus agentes para compor a cúpula da nova administração. O envolvimento do novo governador com o grupo criminoso é objeto de investigação específica que tramita no Superior Tribunal de Justiça”.

A informação consta no parecer do Ministério Público Federal (MPF) contrário ao habeas corpus do irmão de Ricardo, Coriolano Coutinho, assinado nesta segunda-feira (13) pela subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques. Depois de ter um habeas corpus negado pelo STJ, Coriolano recorre agora ao Supremo Tribunal Federal (STF). O relator é o ministro Gilmar Mendes.



Coriolano

A Operação Calvário aponta que Coriolano seria integrante do núcleo financeiro operacional da organização criminosa que funcionava no Governo do Estado e desviou cerca de R$ 1 bilhão da Saúde e da Educação.

Conforme a o Ministério Público da Paraíba (MPPB), Coriolano é apontado como um dos principais responsáveis pela coleta de propinas destinadas ao irmão, Ricardo Coutinho, bem como por circular nas estruturas de governo para advogar interesses da organização junto a membros de alto escalão.

João Azevêdo

Em trecho da delação premiada, a ex-secretária de Estado, Livânia Farias, afirma que propinas pagas pela Cruz Vermelha do Brasil ajudaram a custear despesas de João Azevêdo a partir de abril de 2018, período em que ele se afastou da Secretaria de Infraestrutura, dos Recursos Hídricos e do Meio Ambiente para concorrer às eleições estaduais. Os repasses teriam se estendido até o mês de julho, totalizando cerca de R$ 480 mil. Parentes de João também estariam envolvidos no esquema. Clique aqui e veja mais.

O governador negou todas as acusações. “Jamais recebi recursos de quem quer que seja para fazer uso pessoal. A campanha foi bancada com recursos do partido e eu jamais autorizei que alguém recebesse recursos ilegais para bancar essas despesas. A campanha foi limpa”, disse João.

João disse que passou a ser citado em delações porque saiu do governo ao perceber o que, segundo ele, “não seria correto” na gestão. “Eu dizia claramente quando comecei a tomar medidas com relação ao conjunto de coisas que eu entendi que não fossem corretas dentro do governo que as retaliações iriam acontecer. Tá aí agora, a prova do que eu disse e isso é natural. Você acha que as pessoas que foram afastadas do governo, pessoas citadas com algum tipo de envolvimento, estão satisfeitas com esse processo?”, finalizou.

João Azevêdo falou com jornalistas nesta segunda (13) durante lançamento do Programa de Incentivo ao Esporte Paraibano, na Vila Olímpica Parahyba, em João Pessoa. O programa tem o objetivo de apoiar os clubes profissionais da Paraíba que disputam a primeira divisão do Campeonato Paraibano e ainda as competições nacionais, bem como as demais entidades e clubes que participam de competições expressivas. Os atletas, paratletas e técnicos paraibanos também terão apoio e incentivo do Governo do Estado.

João deixou o PSB em dezembro de 2019. Na época, o partido disse que foi a “formalização de um ato de traição”. 


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