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MP investiga desvio de recursos na Cruz Vermelha e cumpre mandado de prisão na Paraíba

Investigação identificou que a organização criminosa teve acesso a mais de R$ 1,1 bilhão em recursos públicos
person access_timePostado em 14/12/2018 12:40 Atualizado em 16/12/2018 20:58 chat_bubble_outline

Prisão aconteceu na orla de João Pessoa, durante Operação Calvário, do MPPB — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Uma operação conjunta entre o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpre, na manhã desta sexta-feira (14), um mandado de prisão em João Pessoa, na Paraíba, durante operação para desarticular uma organização criminosa infiltrada na Cruz Vermelha Brasileira, filial do Rio Grande do Sul, além de outros órgãos governamentais.

A investigação identificou que a organização criminosa teve acesso a mais de R$ 1,1 bilhão em recursos públicos, para a gestão de unidades de saúde em várias unidades da Federação, no período entre julho de 2011 até dezembro de 2018.

A estimativa, no entanto, é inferior ao valor real do dano causado ao patrimônio público, já que só foram computadas as despesas da CVB-RS com uma pequena parcela de fornecedores que prestam serviços em unidades de saúde do município e do Rio de Janeiro, não alcançando os desvios de recursos públicos decorrentes da atuação da organização criminosa na Paraíba, que vem conseguindo centenas de milhões de reais desde o ano de 2011.



Em nota, o governo da Paraíba informou que não responde a processo ou acusação alguma a respeito da atuaçao da Cruz Vermelha no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa.

"O contrato da Secretaria de Saúde do Estado com a Cruz Vermelha para gestão do Trauma de João Pessoa segue rigoroso e permanente controle de órgãos internos e externos, e os serviços executados tem sido responsáveis pela qualificação e melhoria do atendimento à população, resultando em reconhecimento de órgãos nacionais de saúde", informou a nota.

Por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Calvário também cumpre mandados no estado do Rio de Janeiro e de Goiás. Segundo as investigações, o grupo também desviava recursos do Órgão Central da Cruz Vermelha Brasileira, da filial em Sergipe e do Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (IPCEP).

 

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa infiltrada na Cruz Vermelha Brasileira é comandada por Daniel Gomes da Silva, ex-dirigente de uma empresa de ambulâncias, que já possui uma condenação criminal em primeira instância, pelo crime de peculato, por um contrato com valores superfaturados para o serviço de manutenção de ambulâncias à Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Além de desviar recursos públicos, a organização criminosa ainda se apropriou indevidamente de recursos privados que haviam sido confiados ao órgão central da Cruz Vermelha Brasileira, depois sucedida pela filial da CVB em Sergipe, por uma empresa multinacional, para gestão de projeto de recuperação de acidente ambiental ocorrido no município de Barcarena, no Pará.

Fonte: G1


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