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Enviados por aliens? Sinais de rádio captados por telescópio intrigam cientistas

As chances são muito pequenas. Mas os cientistas não conseguiram descartar a possibilidade de que sinais aparentemente vindos da estrela mas próxima do Sistema Solar sejam fruto de uma tecnologia alienígena
person access_timePostado em 21/12/2020 21:15 chat_bubble_outline

Ilustração de Proxima Centauri: estrela mais próxima do Sistema Solar é circundada por planeta com condições de abrigar vida - (crédito: AFP/European Southern Observatory/Divulgação)

Uma série de sinais de rádio se tornou, nos últimos dias, o centro das atenções das pessoas — cientistas ou amadores — que esperam ansiosamente por provas de que existe vida alienígena inteligente. As ondas foram captadas durante uma observação de 30 horas, entre abril e maio do ano passado, pelo telescópio Parkes, na Austrália. E elas parecem ter vindo da região onde fica Proxima Centauri, a estrela mais perto do Sistema Solar, a cerca de 4,2 anos-luz de distância, e onde já foi achado planeta com condição de abrigar vida.

O estudo realizado em 2020 buscava analisar as erupções estelares. Mas, como já é praxe, os dados coletados continuaram sob análise, para ver se havia algum sinal que poderia interessar o SETI, programa na Califórinia cuja sigla significa Search for Extraterrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre). Em outubro deste ano, o estagiário responsável pela tarefa chegou ao conjunto de cinco sinais de rádio, dando o alerta à equipe do projeto Breakthrough Listen (algo como Audição de Descobertas, em uma tradução livre), ligado ao SETI.

Desde então, os pesquisadores da iniciativa fizeram várias checagens que servem para verificar se as ondas capturadas pelo telescópio são um fenômeno natural (estrelas podem emiti-las por exemplo) ou algum tipo de interferência gerada por equipamentos que estão aqui mesmo na Terra. Outra possibilidade é que sejam sinais de rádio emitidos por máquinas que estão no espaço, mas foram enviados pela própria humanidade, como sondas e satélites.



es, ele continuou inexplicado. Isso significa que, até o momento, os cientistas do SETI, embora achem a possibilidade muito remota, não descartaram a possibilidade de que se trata da tão aguardada "tecnoassinatura", um sinal emitido por algum equipamento tecnológico feito por seres inteligentes que vivem em outro planeta.

Dados vazados

O fato de haver ainda alguma possibilidade de se tratar de um sinal emitido por alienígenas acabou vazando para o respeitado jornal britânico The Guardian, o que gerou alvoroço entre os que aguardam uma prova de que não é só a Terra que abriga vida inteligente. A divulgação da história levou Pete Worden, diretor executivo do Breakthrough Listen Project, se pronunciar no Twitter.

"O time do Breakthrough Listen detectou vários sinais incomuns e os está investigando cuidadosamente. Esses sinais são provavelmente interferências que não podemos explicar. Mais análises estão sendo feitas agora", escreveu na rede social. "Leiam o que dissemos! Ninguém está afirmando que é uma tecnoassinatura. Nós estamos no processo de seguir os protocolos estabelecidos. Neste momento, nós temos sinais interessantes que, nós acreditamos, ser interferência, mas dos quais ainda não fomos capazes de apontar a origem", completou Worden.

Candidato 1

Para uma área de pesquisa que começou sua busca no fim dos anos 1970 sem nenhum resultado até hoje, um sinal inexplicável se torna, imediatamente, algo grandioso. Falando à Scientific American, pesquisadores ligados ao projeto pediram cautela e rechaçaram qualquer conclusão precipitada, mas explicaram por que o sinal capturado é tão interessante.

"Ele tem algumas propriedades que o fizeram passar (não ser descartado como um possível sinal alienígena) em várias de nossas checagens. Nós não podemos explicá-lo ainda", disse Andrew Siemion, da Universidade da Califórnia em Berkeley. "É o sinal mais empolgante que nós já encontramos no Breakthrough Listen project, porque nunca tivemos um sinal que passasse por tantos de nossos filtros", completou Sofia Sheikh, cientista da Penn State University.

Um sinal claro de que o conjunto de sinais rádio está sendo levado a sério pelos cientistas é o fato de eles terem recebido o nome de BLC1. A sigla significa Breakthrough Listen Candidate 1, ou seja, Candidato 1 do Breakthrough Listen.

Humberto Rezende


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