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Paraíba: Pai investe em cursos para auxiliar desenvolvimento de filho com paralisia cerebral

Guilherme tem especialização em educação inclusiva e graduação em psicologia. Cursos ajudam ele e a família a compreenderem o processo de evolução do filho.
person access_timePostado em 09/08/2020 11:45 chat_bubble_outline

Foto: Guilherme Stanford/Arquivo Pessoal

Guilherme Stanford já era pai de uma menina - Maria Eduarda Dantas, com 3 anos de idade, à época - quando Lucas Manoel nasceu. Quando ele tinha 3 meses de vida, percebeu-se a ausência de algumas respostas motoras e, depois da investigação, veio o diagnóstico: Lucas nasceu com paralisia cerebral. Só que esse pai não mediu esforços para auxiliar o filho a crescer saudável e feliz, decidindo fazer cursos e especializações que facilitariam a compreensão e auxiliariam a lidar com o diagnóstico.

Hoje, Maria Eduarda já tem 22 anos e se formou em psicologia recentemente. Lucas tem 19 anos de idade. O pai, que na época do nascimento dos filhos já era professor de biologia, se especializou em educação inclusiva quando Lucas tinha 5 anos. Três anos depois, ingressou na graduação de psicologia, fazendo posteriormente especialização em terapia cognitivo-comportamental.

Num primeiro momento, Guilherme conta que o sentimento foi de receio, mas que depois ele e a família precisaram agir. "Após o nascimento, no terceiro mês foi detectado a ausência de algumas respostas motoras pela pediatra. A reação inicial da família foi de receio sobre o futuro e confusão para querer entender. Posteriormente, resiliência e, depois, disposição para agir a favor dele".



Dividido entre a sala de aula de biologia do ensino médio, as aulas de psicologia no ensino superior e o consultório de atendimentos, Guilherme ainda encontra tempo de sobra para se dedicar como pai, apoiando Maria Eduarda nos seus projetos de vida, e entendendo, respeitando e contribuindo para o desenvolvimento de Lucas.

Família comemora formatura de Maria Eduarda em psicologia — Foto: Guilherme Stanford/Arquivo Pessoal

Família comemora formatura de Maria Eduarda em psicologia — Foto: Guilherme Stanford/Arquivo Pessoal

Os cursos o ajudaram a compreender os processos de desenvolvimento cognitivo e comportamental de Lucas. Guilherme diz ter ganhado mais do que conhecimento, mas sim um verdadeiro presente.

"Procurei o curso de educação inclusiva e de psicologia como um projeto inicial para compreender os processos de desenvolvimento cognitivo e comportamental do meu filho e apoiá-lo. Hoje a psicologia faz parte da minha vida e da minha rotina. Fui presentear meu filho e acabei recebendo dois presentes: uma melhor compreensão da representação humana no amor e no cuidado e um conhecimento enorme sobre o mundo da psicologia e educação inclusiva que me alimenta todos os dias", contou.

Apesar de reconhecer que não dá para atuar enquanto psicólogo dentro de casa, Guilherme carrega consigo a certeza de que suas escolhas profissionais fazem com que haja mais autonomia e qualidade de vida na sua família.

"Não atuo como psicólogo em casa. Não é possível, pois existe processos emocionais e pessoais que impedem essa atuação. O curso que fiz para auxiliar Lucas foi o de educação inclusiva. Contudo o curso de psicologia me ajudou a entender processos comportamentais e cognitivos que ocorrem nele e abriu minha visão para ir em busca de atividades que melhorassem a autonomia e a qualidade de vida dele e da família", disse.

Com a ajuda da esposa e mãe dos jovens, Rosa Angélica, Guilherme se tornou dia após dia um pai mais forte, mais resiliente e mais disposto a lutar pela qualidade de vida e pela compreensão dos filhos.

Rosa abriu mão do trabalho para cuidar de Lucas e da família. Por considerar uma decisão importante a ser tomada, Guilherme procurou os cursos e isso mudou a realidade da família deles. No tratamento de Lucas, todos os profissionais afirmam o quanto ele tem boas evoluções e isso é fruto de movimentos psicopedagógicos adotados por eles, diferentes das outras famílias.

"Minha esposa largou mão do emprego e ficou próximo a ele. O que eu aprendi no curso de educação inclusiva foi o que nos ajudou. Ter estudado mais sobre isso me fez ter mais consciência, abriu os horizontes. Mas nada disso foi maior do que as barreiras que nós quebramos. Com isso, os resultados que temos são sempre a melhor evolução possível, pois o cuidar, o amor generoso, o querer ver que o outro vença, fez toda a diferença e Lucas é cheio de incentivos e de vontade própria para sempre dar um passo a mais", mencionou.

Para Maria Eduarda, o pai é sinônimo de exemplo, inspiração e sabedoria. Ela afirmou que o pai é o ponto chave da família e que é impossível não se emocionar quando pensa no tanto que ele significa para ela.

"É inspirador ver o quanto ele trabalha três turnos e ainda tem tempo de se dedicar à família. Cada segundo que passamos com ele podemos desfrutar da sabedoria e da humildade dele em saber tanto e ao mesmo tempo estar disposto a aprender sempre mais. Não tenho o que questionar quanto a nossa família, pois nos é dado todo suporte mais do que necessário para mantermos uma vida feliz, saudável, e acima de tudo com muito amor e meu pai é ponto chave para nossa família", afirmou.

*Sob supervisão de Krys Carneiro


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