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Mãe reencontra filho 38 anos depois dele ser raptado na porta de maternidade pública do DF

Mulher deixou bebê com funcionários do abrigo e, ao voltar, não encontrou criança. Caso foi em 1981, mas só foi desvendado esta semana
person access_timePostado em 25/04/2019 18:17 chat_bubble_outline

Sueli Gomes da Silva Rochedo, de 56 anos, tinha 16 quando teve seu bebê raptado no Hospital do Gama em 1981 — Foto: Divulgação

A angústia da moradora do Distrito Federal Sueli Gomes Rochedo, de 56 anos, chegou ao fim esta semana. Depois de 38 anos de espera, ela reencontrou o filho, Luiz Miguel, que teria sido raptado na saída do Hospital Regional do Gama (entenda abaixo).

O rapaz foi localizado ano passado, na Paraíba, pela Polícia Civil do DF, mas o exame de DNA só comprovou, nesta quarta-feira (24), que realmente se tratava da mesma pessoa, registrada hoje com o nome de Ricardo Araújo.

Até a manhã desta quinta (25), mãe e filho ainda não tinham se reencontrado. Ao G1, Sueli disse que conversou com o filho por uma chamada de vídeo e “não pode conter a emoção”. 



Desaparecimento 

Segundo o delegado Murilo de Oliveira, da 14ª DP, Sueli procurou a polícia em 2013 para contar que o filho, na época recém-nascido, tinha sido raptado na porta da maternidade. O caso foi em 1981, quando ela tinha 16 anos.

A mulher disse à polícia que, na época, morava em um orfanato no Guará e que no dia do parto, em 9 de fevereiro daquele ano, foi ao hospital acompanhada de funcionários do local.

Ao receber alta médica, ela afirma que foi convencida a deixar o filho com o casal da instituição onde morava para fazer uma ligação telefônica – em um orelhão a 20 metros do local – para a dona do abrigo e, ao voltar, não encontrou mais a criança.

Na ligação, a dona do abrigo teria dito que não queria o bebê. Sueli afirma ainda que foi obrigada por ela a "permanecer calada e a não tocar mais no assunto". Dias depois, a dona do orfanato disse que o bebê havia morrido. 

Três décadas depois 

Sueli Gomes Rochedo, de 56 anos, teve o filho sequestrado na porta da maternidade em 1981 — Foto: DivulgaçãoSueli Gomes Rochedo, de 56 anos, teve o filho sequestrado na porta da maternidade em 1981 — Foto: Divulgação

Sueli Gomes Rochedo, de 56 anos, teve o filho sequestrado na porta da maternidade em 1981 — Foto: Divulgação 

Passados 32 anos, a vítima decidiu registrar o rapto na delegacia do DF, onde começou a investigação. Segundo a polícia, a principal suspeita, dona do abrigo, morreu em 2012, antes que a mãe registrasse ocorrência.

Na época, a Polícia Civil tinha, pelo menos, 15 linhas de investigação. Uma delas levou os agentes a entrar em contato com o porteiro do médico que fez o parto da jovem, no hospital do Gama.

Em depoimento ele disse que registrou a criança em 11 de fevereiro, dois dias após o nascimento de Ricardo. O homem não informou à polícia como recebeu o bebê.

Como na época o registro indevido de criança não era considerado crime, o caso foi arquivado e o porteiro não vai responder criminalmente. O delegado Murilo de Oliveira informou ainda que não encontrou registro de nascimento da criança no hospital do Gama.

Por Marília Marques, Afonso Ferreira e Geraldo Becker, G1 DF e TV Globo


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