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Filho de secretário do Ministério da Saúde é vacinado na Paraíba contra Covid-19 quatro meses antes de seu grupo prioritário

person access_timePostado em 22/05/2021 09:36 chat_bubble_outline

Estudante estagiava em janeiro no Hospital São Vicente de Paulo, em João Pessoa — Foto: Francisco França/Arquivo Jornal da Paraíba

A vacinação de um estudante de medicina de João Pessoa em janeiro deste ano, bem antes da vacinação desse público ser permitida, vem causando polêmica, principalmente porque ele é filho de Arnaldo Correia de Medeiros, titular da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde desde junho do ano passado. Daniel Freire de Medeiros tem 21 anos e é estudante do 8º período do curso de medicina. Ele tomou a primeira dose da vacina AstraZeneca em 28 de janeiro e a segunda dose 28 de abril deste ano, mas, ao menos oficialmente, a vacinação de estudantes da área de saúde só foi autorizada pela Prefeitura de João Pessoa em 5 de maio.

Os dados sobre as datas de vacinação de Daniel constam no Portal da Transparência da Prefeitura de João Pessoa. O detalhe é que, no relatório, ele aparece como "médico", e não como estudante.

Procurado pelo G1, Daniel disse que estava em viagem de Fortaleza a João Pessoa, no meio da estrada, e por isso não tinha como falar naquele momento, por causa de interferências no sinal do celular. Pouco depois, no entanto, ele enviou por uma aplicativo de conversa uma nota do Ministério da Saúde, que diz que ele é estagiário do Hospital São Vicente de Paulo, na capital paraibana, e que "acadêmicos e estudantes da área técnica em saúde em estágio hospitalar" estão contemplados no Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19. A nota informa também que a classificação dele como médico foi "um erro de digitação".



Para além disso, o estudante enviou uma cópia de uma declaração do Hospital São Vicente de Paulo que diz que Daniel participou do "programa de estágio observador na área de cirurgia geral" da unidade hospitalar.

A Prefeitura de João Pessoa também foi procurada. Fernando Virgolino, que é o chefe da Seção de Imunização, alegou que o caso de Daniel não é um de "fura-fila". De acordo com ele, a vacinação de estudantes de medicina que trabalhavam em hospitais foi iniciada em janeiro, mas interrompida depois que uma decisão judicial, a partir de uma ação do Ministério Público da Paraíba, proibiu que esse público fosse vacinado antes que os idosos até 60 anos fossem imunizados.

Fernando pondera que o caso de Daniel aconteceu antes dessa decisão, de forma que o caso dele não poderia se configurar como uma irregularidade.

Apesar do que diz a Prefeitura, no entanto, a vacinação em massa de estudantes de saúde, mesmo aqueles que trabalhavam em hospitais, só foi iniciada em maio.


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