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Fantasmas no Conde: Presidente da Câmara denuncia assessor de comunicação de Márcia Lucena

O presidente enviou ofício à Secretaria de Comunicação do município (SECOND) solicitando relatório de atividades de Wagner Assunção na prefeitura do Conde
person access_timePostado em 06/11/2019 00:09 chat_bubble_outline

Reprodução / internet

O Presidente da Câmara Municipal de Conde, o vereador Carlos André (MDB), usou a Tribuna da Casa na sessão desta segunda feira (04) para fazer uma grave denúncia sobre a gestão Márcia Lucena.

Recentemente tornado o primeiro na linha de sucessão da prefeitura, após a renúncia do vice-prefeito Temístocles Filho, o vereador Carlos André, conhecido como Manga Rosa, denunciou que o diretor de conteúdos da Prefeitura Municipal de Conde, Wagner Assunção, nomeado por Márcia Lucena desde 2017, é funcionário fantasma com um salário mensal de R$ 2.800,00 (dois mil e oitocentos reais).

 

O presidente enviou ofício à Secretaria de Comunicação do município (SECOND) solicitando relatório de atividades de Wagner Assunção na prefeitura do Conde. Segundo ele, o diretor de conteúdos nomeado por Márcia Lucena não dá expediente na prefeitura uma vez que esteve por três vezes na prefeitura para fiscalizar a atuação de Wagner e em nenhuma das três vezes encontrou o diretor de conteúdos dando expediente.



“Estive por três vezes na prefeitura e não encontrei Wagner dando expediente. Ele está recebendo o dinheiro do povo do Conde sem trabalhar. Isso é ser um funcionário fantasma, cabe a prefeita demitir”, denunciou Manga Rosa.

Ainda segundo Manga Rosa, Wagner passou a atacá-lo diariamente após o presidente deixar de pagar por seus serviços de divulgação.

LÍDER DA PREFEITA TENTOU ABAFAR O CASO

O líder da prefeita na Câmara do Conde, o suplente Nildo Lacerda (PSB), que está exercendo temporariamente o mandato devido ao afastamento do ex-presidente e ex-líder da prefeita Naldo Cell (PT) - que cumpre prisão domiciliar por suspeita de corrupção - interrompeu a fala do presidente para sugerir que a denúncia deveria ser discutida em uma sala fechada, sem expor a gestão que ele temporariamente representa.

De pronto o vereador Daniel Júnior (PR) refutou a sugestão de abafar o fato, conforme sugeriu o inexperiente suplente Nildo, mostrando que é função do vereador fiscalizar o Poder Executivo e que a denúncia, com a gravidade com que traz o Presidente da Câmara, precisa ser investigada e que um vereador por ser da base da situação não está obrigado a compactuar com supostos ilícitos cometidos pela gestão municipal.

Nildo não assinou o ofício de solicitação de informações sobre Wagner Assunção que foi encaminhado por 8 vereadores.

VICE-PRESIDENTE DIZ QUE TEM QUE PAGAR PARA A IMPRENSA FALAR A VERDADE

Sobre os ataques de Wagner ao presidente Manga Rosa, o vice-presidente da casa, Juscelino, disse que a imprensa, ‘pra’ falar a verdade, tem que ser paga, e ainda afirmou que “quem vive da notícia ‘tá’ perdendo a credibilidade”. (SIC)

Juscelino ainda questionou: “pra quê imprensa?”, completou Juscelino afirmando que a imprensa está perdendo totalmente a credibilidade porque está expondo todo mundo e que alguns usam a imprensa para obter vantagens.

“SE NÃO QUEREM QUE EU BATA, NÃO BATAM EM MIM”

Ao responder a infeliz interrupção do suplente Nildo, Manga Rosa disse que já falou por 3 vezes com o chefe de Wagner, o secretário Walter Galvão, dizendo que o diretor de conteúdos “não pode ‘tá’ batendo em um vereador da base da prefeita”, mas até o momento nada adiantou, deixando entender que as ações de Wagner têm o aval do secretário e da gestão municipal.

“Se eu sou base, se não querem que eu bata, não batam em mim”, reclamou o presidente.

NÃO É A PRIMEIRA VEZ

O presidente Manga Rosa foi ainda mais além nas denúncias contra Wagner, afirmando que ele fez o mesmo com o ex-presidente Luzimar Nunes, que cedeu aos seus achaques pagando uma viagem para Natal-RN “pra ele poder calar a boca”. O mesmo teria ocorrido com outro ex-presidente, Denys Pontes, que teve que contratar os serviços de Wagner por R$ 800,00 (oitocentos reais).

A SERVIÇO DOS GESTORES DE PLANTÃO

Wagner Assunção é conhecido na cidade por sempre estar atrelado e servindo a quem está no poder. Ao mesmo tempo ataca quem o gestor de plantão não gosta. Foi assim com os ex-prefeitos Aluísio Régis (MDB) e Tatiana Correia (AVANTE), e está sendo assim com Márcia Lucena que lhe presenteou com a nomeação para um cargo comissionado após sua esposa ter conseguido 70 votos na coligação encabeçada pela atual prefeita nas últimas eleições.

NEM JOÃO AZEVEDO ‘ESCAPOU’

Em uma de suas ações mais recentes Wagner Assunção atacou fortemente o atual governador João Azevedo (PSB) e enalteceu o ex-governador Ricardo Coutinho, a quem a prefeita Márcia Lucena costumeiramente presta condolências.

Segundo Wagner Assunção o governador João Azevedo “não era absolutamente nada antes de Ricardo Coutinho” e ainda que “João sozinho não ganhava nem ‘pra’ presidente de associação nem pra sala de aula de escola”, no mesmo comentário exaltou Márcia Lucena por sua postura de ficar ao lado de Ricardo Coutinho: “a postura da prefeita Márcia é exemplar, ela está agarrada na mão de Ricardo e não solta”, pontuou Wagner.

No dia seguinte, após a repercussão negativa das declarações do diretor de conteúdos, nomeado por Márcia Lucena, ele leu uma nota pedindo desculpas ao governador João Azevedo, mas as palavras já estavam ditas e deixou transparecer que Wagner fez aquilo que sabe fazer de melhor, obedecer a quem está no poder como forma de garantir seu salário.

Eudes Santiago

Repórter PB


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