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OMS pede 'união dos governos' para frear a transmissão no Brasil; organização diz que situação no Brasil continua preocupante

person access_timePostado em 03/08/2020 11:39 chat_bubble_outline

Foto: Christopher Black/OMS

O diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, declarou nesta segunda-feira (3) que a situação do Brasil na pandemia de Covid-19 continua a ser "muito preocupante".

"A situação no Brasil continua a ser muito preocupante, com muitos estados relatando alto número de casos. A contagem média diária é de 60 mil [novos] casos e mais de mil mortes por dia", afirmou Ryan.
O diretor de emergências declarou que a única forma de resolver o problema, no Brasil e em outros países que estão em condições semelhantes, é suprimir a transmissão comunitária, com união das esferas de governo e das comunidades locais.

"Em todos os países, o governo precisa fazer sua parte, para detectar e isolar casos, rastrear contatos, quando possível, e criar condições nas quais a doença não pode se espalhar facilmente", afirmou. "Isso é muito fácil de dizer, mas muito difícil de alcançar", admitiu Ryan.



"Não há bala mágica aqui, como eu já disse antes. Isto vai requerer uma reprogramação, em muitos países, sobre como eles abordam a supressão deste vírus, como eles abordam a comunicação, o empoderamento e o engajamento com as comunidades", disse.

"Alguns países realmente vão ter que dar um passo para trás agora e olhar como eles estão lidando com a pandemia em suas fronteiras nacionais. Eles estão fazendo todo o possível – politicamente, economicamente, medicamente – para suprimir o vírus e apoiar suas comunidades?", questionou.
A líder técnica da OMS, Maria van Kerkhove, lembrou que a transmissão do vírus não costuma ocorrer de forma uniforme em todo o país. Ela afirmou, também, que o Brasil é um país de "tremendos recursos" e "tremenda vontade" no enfrentamento ao problema.

Maria van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da OMS — Foto: Christopher Black/OMS

Maria van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da OMS — Foto: Christopher Black/OMS

"Nós vimos, em alguns países que passaram por algo similar, que eles tentaram isolar o lugar onde está o maior problema e mobilizar os recursos para lá primeiro, se os recursos estão limitados", disse van Kerkhove. "Nós sabemos que no Brasil há tremendos recursos, e há tremenda vontade para enfrentar esse problema.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que, no Brasil ou em outros lugares, a situação pode ser revertida.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva em fevereiro — Foto: Fabrice Coffrini / AFP

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva em fevereiro — Foto: Fabrice Coffrini / AFP

"Nunca é tarde demais", disse Tedros. "Eu gostaria de citar Martin Luther King: 'o momento sempre é certo para fazer o que é certo'. Acho que o que podemos aprender com isso é: não devemos desistir. Qualquer coisa pode ser revertida. Nunca é tarde demais. No Brasil ou em outros lugares, a situação pode ser revertida", disse.
Na sexta-feira (31), a OMS registrou um recorde de novos casos diários em todo o mundo: foram mais de 292 mil novas infecções em 24 horas. 


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